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Odilon Redon
Borboletas, 1910, tela, 64 x 50 cm. Coleção particular – Estados Unidos.

 

Borboletas

A amizade de Redon com Armand Clavaud, botânico e grande conhecedor de literatura e ciência, introduziu o artista ao conhecimento da literatura antiga e contemporânea, assim como da biologia e do mundo vegetal. Esses universos foram fontes para a criatividade do artista, e as flores em especial despertaram o interesse de Redon no último período de sua Obra. Dessa natureza colorida, Redon trouxe outros seres desse habitat, como as borboletas.

Aqui cada inseto ganha um colorido próprio e voa num espaço indefinido de grande luminosidade, situação muito própria da vida desses seres diurnos que são atraídos pela luz. Não são encontradas referências representativas de céu, nuvens ou sol nesta imagem. Redon preferiu explorar os recursos próprios da pintura e do desenho. Por exemplo, a espacialidade foi definida apenas pela diferença de tamanho das borboletas, e a composição, aparentemente aleatória, baseou-se no movimento espontâneo e aparentemente desordenado do vôo.

Devido a sua metamorfose – de ovo a lagarta, de crisálida (presa a um envoltório) a um inseto alado e colorido – a borboleta é símbolo da alma e da imortalidade. Redon expressou a essência desse leve e belo inseto pelas cores. A cor define as formas e concentra nossa atenção. Para isso, ele empregou um número muito variado de combinações cromáticas que enriquecem a composição, ora com um vermelho intenso, ora com um amarelo quase puro, ora com azuis. Criou detalhes que dão um aspecto muito peculiar a cada uma destas borboletas, cada uma reivindica o nosso olhar.

Não há indícios explícitos nesta obra em relação ao seu significado místico. A abertura a significados simbólicos, no entanto, é característica nas obras de Redon. Ele não apelava para as alegorias, seu interesse estava no exercício da criação imaginativa, tanto do artista em seu fazer, como do espectador em sua experiência interpretativa. A referência do artista não era o mundo exterior, mas o seu mundo interior, sua expressão. A imagem de Borboleta, por exemplo, plasma um mundo inventivo e alegre. Este mundo é próprio do período no qual o artista dedicou-se à cor. Após seu período Negro (ver Le Juré), percebemos aqui um Redon renovado, que nos mostra sua complexidade poética ao se apoiar em paradoxos, arriscando-se no trânsito entre morte e vida para construir sua linguagem. Suas borboletas emanam vida. A diversidade visual da espécie aqui apresentada mostra-nos que, muitas vezes e por mais paradoxal que possa parecer, é a multiplicidade que nos une.

No jogo A Mansão de Quelícera, as borboletas aparecem (ver Apropriação) para um desafio, ao qual o jogador do personagem Vivian tem acesso a partir do quarto de banho da Mansão.


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Atualização em 30/01/2006.

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